6 de jun. 

Vinde, Ó Espírito Divino Consolador, descei lá do Céu A dar-nos riquezas de Vosso amor.

(Hino Festa do Divino, Pirenópolis)

By Eraldo Peres

Se o calendário cristão se enche de importância com a Pentecoste, quando o Divino Espírito Santo realiza sua chegada ao coração dos apóstolos de Jesus Cristo, a festa do Divino de Pirenópolis marca mais de 200 anos de sua tradição.

Reconhecida como patrimônio imaterial e registrada no livro das celebrações em 2010, a Folia do Divino Espírito Santo mantém sua tradição da coroação do Imperador, da formação da corte rodeadas de virgens e anjinhos, e do andor que leva a imagem do Santo Espírito até o altar da Igreja Matriz.

Após um longo período sem realizações, devido a situação de saúde vivida pelo país, a Folia do Divino, tanto a da roça com seu giro pelas fazendas, quanto a da cidade são retomadas com um vigor animador, trazendo para os visitantes os brilhos das bandeirinhas vermelhas e brancas em um fabuloso contraste com o céu azul da cidade.

Conhecida por sua hospitalidade, a cidade reúne em seu conjunto de festividades culturais a Festa do Divino, as Cavalhadas e as lendas locais, tudo isso temperado com a Gariroba ou Gueiroba e os sabores da comida regional goiana, que fazem da cidade um atrativo especial.

Batizada em 1727, ano de sua fundação, como Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, em plena expansão do ciclo do ouro, foi em 1989 que Pirenópolis recebeu o título de patrimônio nacional, concedido pelo Iphan, e hoje busca seu credenciamento para pleitear o título de patrimônio histórico da humanidade junto a Unesco.

As celebrações do Divino Espírito Santo são realizadas em várias cidades do país, como uma manifestação cultural que reúne o profano e o sagrado. O culto ao Divino, desde as suas origens em Portugal, varia em torno da composição original onde são encontradas a figura do imperador, com sua coroa de prata, cetro e bandeira do Divino, responsável pela festa e chamado de Festeiro.

Junto a estrutura básica da Festa do Divino, as folias, a coroação de imperador do Império, também são incorporadas novas expressões que trazem um tom singular à celebração ocorrida em Pirenópolis, como as folias da roça e da cidade, o império e suas cerimônias, a distribuição das Verônicas, pequenos docinhos de açúcar com estampas da Pomba do Divino, os mascarados com seus adornos de bois, onças e capetas, e as cavalhadas, na qual mouros e cristãos ricamente vestidos encenam batalhas e confraternizações do domingo de Pentecostes.

Esse período, os 50 dias após a Páscoa e que marcam a Pentecostes, se transforma em uma das maiores e mais importantes celebrações do calendário cristão, comemorando a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, sua mãe Maria e outros seguidores, que em tons de vermelho, branco e dourado, celebram clamando “Vinde a Mim, Ó Espírito Santo”.

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